Na xícara de chá, o redemoinho, o caos
Escuridão da mente com sabores amargos.
Pisoteio das ervas e dos fardados
Quer algo para o seu prato, soldado?
Insípidos ramos do poder
Os xás querem o meu chá.
Clamor das ruas, desespero nas altas torres,
a alegria é duvidosa
Não me encanto com ela
Improviso com a mão que não é mortal, Wislawa,
apenas fere
A chaga social
A Vida, Meu Universo e Tudo Mais
sábado, 11 de fevereiro de 2012
sábado, 14 de janeiro de 2012
O MUNDO DE SOFIA
O Hotel Chateau Marmot é o célebre reduto das estrelas hollywoodianas e o ambiente explorado neste último filme da Sofia Coppola. Trata-se de um local e um mundo (o dos famosos) que a diretora conhece bem como demonstra no roteiro e nos extras do DVD.
É um filme experimental isto está bem claro. Aquelas cenas longas que beiram a monotonia, mas que dão sentido à vidinha de celebridade de Johnny Marco, personagem do Stephen Dorff, quando não está exercendo a sua labuta de super star. Dizem algumas línguas que o protagonista foi inspirado no Keanu Reeves. Suposições.
A rotina nada salutar é quebrada com a chegada de Cleo, papel de Ellen Fanning, filha do ator que passa alguns dias com o pai depois que sua mãe deixa-a após uma viagem inexplicada. A graciosidade da filha dá leveza à vida desregrada do pai e ao mesmo tempo deixa sem sentido a sua existência, principalmente após a ida da garota para colônia de férias.
Este tipo de película não é para o público blockbuster, acostumado com títulos fáceis e melodramáticos. É para quem gosta de algo menos óbvio. Com certeza quem continuar a acompanhar a história depois da primeira cena é porque se interessa por desafios.
Sofia Coppola é uma diretora competente e refinada, mas sempre me pergunto como seria seus filmes se não contasse com a sua ilustríssima família para auxiliá-la. Quem não queria um Francis Ford Coppola como produtor executivo no seu filme ou um marido com uma banda de rock talentosa para colocar na sua trilha sonora? Não seria mais fácil?
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
MRS. WINEHOUSE AND ME
Foto: David Howells - latinstock
Ganhei de dia dos namorados deste ano a biografia de Amy Winehouse. Jefferson é o tipo de namorado que gosta de fazer "surpresas". "Poxa, queria ganhar este ano um..." "Não, deixa que eu escolho seu presente, aposto que você vai gostar". Fofo, mas vacilão. Gosto da Amy Winehouse, mas não a ponto de querer a sua biografia precoce - foi escrito suas histórias até os 24 anos - ainda por cima pelo mesmo escritor da biografia do Justin Bieber! Quase tenho uma síncope quando abro o presente.
Bom, como não sou de fazer desfeitas, tentei desfazer-me do preconceito e fui ler o livro. Infelizmente, meu preconceito tornou-se de fato uma ideia concebida. Pouco aprofundamento sobre a vida musical e dá-lhe páginas sobre escândalos e fofocas. Caramba, a vida da mrs.Winehouse foi assim. Não que ela não fosse envolvida com música, mas seus últimos anos foram chamando atenção mais para vida pessoal do que profissional. Joss Stone, por exemplo, com 24 anos já tem cinco discos solos e um com o SuperHeavy, no entanto nem ela e nem mesmo Adele, que vem caminhando de forma parecida, parecem tão autênticas e com composições tão fortes como Amy Winehouse.
Tudo nela parecia tão intenso. Suas tatuagens, seu modo de vestir, seus amores, o jeito de encarar a vida soavam exclusivamente Amy Winehouse. Juro para vocês que ainda acreditei que ela passaria dos fatídicos 27 anos, estava pertinho de completar 28 agora, no dia 14 de setembro. Quando imagino Ozzy Osbourne, Keith Richards, Courtney Love que já passaram dos 40, por que não Amy também?
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
COM TESTEMUNHAS E TUDO MAIS
Se casamento fosse bom não haveria testemunha, certo? Nem todo dito popular é sábio e o que refuta isto são as pesquisas que registram que o número de casamentos realizados aumentou nos últimos anos. Só em 2008 foram 960.000 uniões matrimoniais oficializadas. Instituição falida e decadente? Que nada. Vida longa a dois para os comprometidos? Nem tanto.
O divórcio também está em alta, mas não é motivo para desânimo. No mesmo 2008, 17% das pessoas que se casaram eram divorciadas. Isto prova que o casamento não vai deixar de existir como os mais céticos acreditam, ele apenas adquiriu novos formatos e motivos mais convincentes para se estruturar e, com certeza, o mais forte destes motivos é o amor.
Vivo uma união estável com meu companheiro e pretendemos oficializar nosso casamento a médio prazo. O ânimo que alimenta nossas vidas, acredito, seja a mesma que unem essas milhares de pessoas todos os anos no Brasil. Hoje, ninguém é mais obrigado a se manter junto com alguém que não ama e isto é motivacional.
Conviver com a pessoa amada traz um fortalecimento de espírito e amadurecimento. O casamento é a confirmação disso. Quem não gostaria de compartilhar felicidade com testemunhas e festa?
Fonte: Revista Veja
sábado, 23 de julho de 2011
A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO EMPREENDER
Bird é um professor de pré-vestibular japonês que está atordoado com um pepino nas mãos, ou como próprio diz um bebê-monstro. Estou com um bebê-monstro e, da mesma maneira do personagem do livro "Uma Questão Pessoal" do escritor japonês Kenzaburo Oe, não sei lidar com o problema.
O meu bebê-monstro é a minha total falta de habilidade em conciliar o meu salário com as minhas contas. A sina de todo brasileiro com a iminência de uma inflação. Meu objetivo é buscar uma visão shumpeteriana e incorporar-me aos 21milhões de brasileiros empreendedores.
Como 78% dos brasileiros – de acordo com a 11ª edição da pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor) – acredito que trabalhar por conta própria é uma boa opção de carreira e combina com a minha personalidade de adaptar-se com facilidade, enxergar as oportunidades e acima de tudo: viver em constante aprendizado.
Investir no mundo digital é uma iniciativa a ser buscada, mas com cautela. Principalmente quando o fato de existir uma certa intimidade com tecnologia se confunde com uma provável habilidade com computadores. Empreender é preciso e viver é impreciso.
Agora, o equilíbrio da minha vida financeira está à mercê do meu espírito empreendedor.
Agora, o equilíbrio da minha vida financeira está à mercê do meu espírito empreendedor.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
NEM TÃO DANADO DE BOM MEU COMPADRE
Sem querer fazer uso de preconceito linguístico, mas tenho o desejo de viver em um Brasil que as músicas do Gonzagão parecerão folclóricas e não um espelho da fala cotidiana de uma parte dos brasileiros.
O Brasil já é o país onde as pessoas mais lêem jornais por aparelhos eletrônicos - de acordo com o levanvantamento da comScore - no entanto passa longe de ser a nação com maior nível de escolaridade.
Esta é uma notícia animadora, ainda que não seja baseada em um dado que represente a maioria da população e que mostra um caminho para o incentivo a leitura no país.
Em vez de condenar a internet e as novas mídias eletrônicas como os possíveis culpados pela falta de interesse pelos livros, deveríamos olhar como uma oportunidade de aguçar a curiosidade pela leitura através destes meios.
Fonte: O Globo
quinta-feira, 23 de junho de 2011
O VIGILANTE CIBERNÉTICO
Depois que vim morar aqui no Rio de Janeiro, o melhor meio de me comunicar com pessoas queridas é via redes sociais. Telefone é um meio caro (caso sua operadora não for a mesma que a dos seus amigos) e e-mail exige um pouco mais de tempo para responder.
Coloquei internet na minha casa a pouco tempo e estranhei um pouco as mudanças encontradas nas redes, já que agora sou uma visitante assídua. Sempre fui ciente da falta de privacidade destes sites sociais, mas a sensação de vigilância nos meus acessos tem me assustado, principalmente no Facebook.
Logo quando acesso, sou informada que digitei a senha errada, sendo que esta foi modificada em tal dia e em tal hora por uma outra. Bom, penso no melhor: isto é uma questão de segurança. Ótimo! No entanto, logo quando abro a minha página inicial, do meu lado direito, olhando para "Pessoas que talvez você conheça" vejo sugestões de amizade de pessoas que moraram em uma da cidades que morei. O que há de estranho nisto? Bom, não informei no meu perfil todas as cidades que morei, apenas a que nasci e na que eu vivo atualmente.
O Facebook foi criado por um harker que em vários momentos teve seu caráter questionado pela maneira que criou seu site e como ficou rico com isto (leiam Bilionários por Acaso do Ben Mezrich). Não estou aqui condenando ou dando uma de hipócrita, até porque admiro o Mark Zuckerberg como um excelente programador, mas o que quero pôr em questão é como a privacidade que conhecemos já não faz mais sentido.
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